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Em 13 de outubro de 1908 era descoberta a amônia

O processo pode ser considerado uma das mais importantes invenções do século 20

Luís Alberto Alves/Hourpress

Quando falamos sobre uma invenção que mudou a história da humanidade e que atualmente garante a subsistência alimentar de cerca de 50% da população mundial, as pessoas provavelmente imaginam obras de grande porte, como geradores de energia, máquinas siderais ou novos tratamentos na área da saúde e medicamentos, entre outras… Poucas associam a qualidade de vida e a sobrevivência da humanidade à produtividade agrícola e ao fornecimento de alimentos saudáveis permitida pela descoberta do processo Haber- Bosch.

Um trabalho publicado em 1908 pelo químico alemão Fritz Haber descreve uma técnica para obtenção da amônia a partir da combinação do nitrogênio do ar atmosférico e do hidrogênio e de fatores como altas temperaturas e pressão. Este documento permitiu que, poucos anos depois, seu conterrâneo, o engenheiro metalúrgico Carl Bosch, transformasse a possibilidade teórica em realidade prática, inaugurando uma nova fase na agricultura e na indústria. Pelas descobertas, ambos foram contemplados com o Prêmio Nobel de Química – Haber em 1918 e Bosch em 1931.

Para Dr. Luís Ignácio Prochnow, Engenheiro Agrônomo, Diretor do International Plant Nutrition Institute no Brasil e ex-Coordenador Técnico da Nutrientes Para Vida (NPV), as contribuições da síntese da amônia para a produção agrícola têm grande relevância, e o processo pode ser considerado uma das mais importantes invenções do século 20.

“A amônia é precursora dos fertilizantes nitrogenados, que são essenciais para a produção de alimentos no mundo e, consequentemente, para alimentar a população e nutrir adequadamente seres humanos e animais. Estima-se que metade da população mundial sobreviva graças ao desenvolvimento do processo Haber-Bosch e da produção da amônia. Sem os fertilizantes nitrogenados não haveria condições de produzir a quantidade de alimentos necessária para alimentar a população atual no mundo, que está em torno de 7,3 bilhões de pessoas, e com tendência de  atingir 9 ou 10 bilhões por volta de 2050”, explicou Dr. Prochnow.

Como todos os seres vivos, as plantas precisam de nutrientes para se desenvolver, reproduzir e completar o ciclo de vida. O nitrogênio, um dos nutrientes mais utilizados no mundo, é fator essencial para a produtividade e a lucratividade da atividade agrícola.

“Precisamos fornecer o nitrogênio e a planta precisa absorvê-lo. Nesse processo, é preciso adequar a oferta do nutriente às necessidades da cultura com a aplicação dos princípios do manejo de nutrientes 4C, ou seja, utilizar a fonte correta, na dose correta, no local correto e na época correta, para  assegurar o ótimo crescimento da planta, o que contribui para a rentabilidade da agricultura e a minimização dos efeitos adversos ao ambiente. O nitrogênio é um elemento essencial, que participa de inúmeros processos na fisiologia e no metabolismo da planta e é necessário, sem dúvida, adicioná-lo na maior parte dos solos para o benefício do agricultor, da agricultura
e da nossa população”, conclui o especialista.

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