25042017luis-kichute

Cinta azul

Reclamam de qualquer coisa, mas não admitem contestação. Qualquer contrariedade é assunto para divã de psicanalista

*Luís Alberto Alves 

Tenho acompanhado a polêmica a respeito da baleia azul, que incentiva adolescentes a praticar suicídios e tarefas absurdas. Diversos psicólogos opinaram a respeito do assunto. Falaram do problema provocado neste período da vida, quando não se é mais criança e também ainda não entraram na faixa etária adulta. Ou seja, está cima do muro.

Boa parte só faltou dizer para os pais deixarem os filhos quebrarem a casa toda e bater palmas. Nada de repressão. Só elogios, além de cumprimento de todos os pedidos, como comprar um tênis de quase R$ 1.000,00; roupas caríssimas de grife e diversos luxos. Criticar jamais, mesmo enxergando erros de condutas.

Luís Alberto Alves

Este é o erro desta geração. Acostumou a obter tudo fácil. Não ralam. Nem prato, copo ou roupas lavam em casa. Parecem príncipes e princesas. Só cobram, sem ter nenhuma obrigação. Tratam os pais como se fossem empregados a satisfazer seus luxos. Reclamam de qualquer coisa, mas não admitem contestação. Qualquer contrariedade é assunto para divã de psicanalista.

Creio que muitos facefriends tiveram o meu mesmo tipo de educação: dura, rígida! Aos 11 anos de idade minha mãe me ensinou lavar e passar minhas roupas. Não podia exigir que comprasse determinado calçado, camisa ou calça. Ela me dava o que o seu dinheiro de diarista em casa de família conseguia obter nas lojas populares.

Durante anos usei o tênis ki-chute e calça Topeka Flair ou US Top. Quando desobedecia, a cinta ou cabo de vassoura azul faziam a festa nas minhas costas e pernas. Fui educado a respeitar os mais velhos, a dizer muito obrigado, por favor e dar benção ao deitar para dormir.

Quem definia o corte de cabelos eram meus pais. Por economia cortava no famoso estilo meio-americano, com topete. Assim demorava para voltar ao barbeiro. Ao passar a trabalhar, aos 13 anos, metade do salário parava nas mãos dos velhos.

Quando passei a frequentar os famosos bailes de garagem e salões do Palmeiras, Homs, Casa de Portugal, e nas festas no bairro paulistano do Parque Peruche e Casa Verde tinha de avisar com antecedência com quem iria e horário de volta.

Em casa existia regra. Tempo de sair e entrar. Sem chuveiro, perdi as contas das vezes em que tomei banho de bacia. Meus sapatos não podiam ficar sujos. Os mantinha engraxados, assim como as roupas.

Agradeço a Deus por essa educação. Cresci sem nenhum complexo. Nunca pisei meus pés num consultório de psicólogo ou psicanalista. Aprendi que devemos obedecer para sermos obedecidos, amar para sermos amados, sermos amigos para termos amigos e acima de tudo jamais praticar qualquer tipo de ato desonesto.

Na minha vida profissional de 32 anos no jornalismo, em algumas ocasiões tive oportunidades de ser corrupto passando por cima de colegas de trabalho e aparecer bonito na selfie dos espertos. Mas nestes momentos sempre me lembrei da educação dada pelos meus pais e dizia e continuo dizendo não ao ilícito.

 O que os adolescentes e jovens de hoje precisam é de mais deveres para sentir na pele que a vida não é brincadeira. Existem regras e precisam ser obedecidas, principalmente respeito aos mais velhos e aos pais. Parar de cobrar e fazer mais dentro de casa. A começar pela arrumação da cama onde dorme e lavar o prato onde come. Assim não existirá espaço para baleia azul, verde, rosa, vermelha, preta…….

*Luís Alberto Alves é diretor de redação do hourpress.com. br e jornalista há mais de 30 anos. Trabalhou nos principais veículos de comunicação de SP. É expert em Política Internacional, Segurança Pública, Economia, Música, Veículos, Gospel Music, Sindicalismo e Meio Ambiente. É grande estudioso de Black Music, arranjador e músico de formação clássica.

 

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