04072017luis-alem

“Me adiciona Deus”

Após os 18 anos passou a frequentar bastante a carceragem do Deic (Departamento Estaduais de Investigações Criminais), em Santana

Luís Alberto Alves

Rubinho tinha tudo para não chegar ao século 21. Desde a infância já furtava nas feiras livres da Zona Norte de SP. As donas de casa da Vila Guilherme, Vila Maria Alta, Vila Gustavo, Vila Constância e outros bairros da região precisavam redobrar a atenção para não perder a carteira. Aos 13 anos já era conhecido na extinta Febem, que depois mudou de nome para Fundação Casa.

Quando não agia nas feiras, adorava assaltar residências. O produto do roubo acabava trocado por drogas, principalmente maconha, que fumava ouvindo as canções de Peter Tosh, o bad boy do Reggae. Praticar homicídio fugia dos gostos de Rubinho. Seu negócio consistia em roubar ou furtar, de acordo com a situação.

Após os 18 anos passou a frequentar bastante a carceragem do Deic (Departamento Estaduais de Investigações Criminais), em Santana, próximo ao Terminal Rodoviário do Tietê. Ficou algum tempo na colônia penal de Bauru e logo fugiu. Recapturado, acabou transferido para Presidente Prudente.

Passou a gostar de internet e mudou para falsificação de cartões de crédito, além de entrar nos sites de bancos e sacar dinheiro nos caixas eletrônicos por meio dos cartões clonados. Virou rato de redes sociais. Ali conhecia os hábitos dos internautas e assaltava suas casas. Conselhos dos pais e da mulher que conheceu na adolescência não adiantavam.

Cansada da rotina criminosa do marido, Cleide virou evangélica. Passou a pedir que Deus retirasse Rubinho do crime, cuja folha corrida na Polícia media mais de 10 metros de comprimento. Numa noite, ele resolveu roubar uma mansão em condomínio de luxo próximo ao hospital da PM, no Barro Branco, Zona Norte de SP. Encheu duas mochilas de joias e diversas notas de euro e dólares.

Saiu, pegou a picape Ranger imaginando que estaria livre para torrar aquela fortuna. De repente sentiu as costas queimando em vários lugares. O mesmo calor se repetiu nas duas pernas. Caiu perto da porta do carro. Com silenciador, Rubinho levou vários tiros disparados pelo dono do imóvel, que era militar do Exército. Começou a enxergar sombras envolvendo o seu corpo.

Vultos exibindo mãos enormes e unhas afiadas avançavam velozmente sobre o seu corpo. Rubinho tentava reagir, mas não conseguia nem levantar as mãos. O sangue já encharcava a calçada da mansão. Passou a delirar. Ouvia as orações de sua mulher, os conselhos dos pais. A vida, igual filme, passando rapidamente na mente. Só teve tempo de dizer: “Me adiciona Deus”. Não acordou mais no mundo dos vivos….

Deixe uma resposta