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Festival no Rio reúne a tradição e a vanguarda do choro em shows gratuitos

Nesta edição, Yamandu Costa, curador do evento, propõe um contraponto entre músicos que bebem na fonte do choro com artistas mais conhecidos da música mundial, mas que sempre flertaram com o estilo genuinamente carioca

  • Rio de Janeiro
Paulo Virgilio – Repórter da Agência Brasil

Reunir em um mesmo palco a tradição e a vanguarda do choro brasileiro é a proposta do festival Choro na Gamboa , que realiza sua terceira edição hoje (21) e amanhã (22) no Museu de Arte do Rio (MAR). O evento, com entrada franca, permite ao público apreciar a  versatilidade e a modernidade desse gênero da música popular e instrumental, surgido no Rio de Janeiro em meados do século 19, na interpretação de nomes conhecidos na cena nacional e internacional.

Nesta edição, Yamandu Costa, curador do evento, propõe um contraponto entre músicos que bebem na fonte do choro com artistas mais conhecidos da música mundial, mas que sempre flertaram com o estilo genuinamente carioca. “Meu objetivo é sempre mostrar um pouco da tradição e do que está acontecendo de novo na cena do choro. Esse ano, temos artistas que mergulham na raiz e outros com formações diversas, que trazem uma influencia da música universal para o choro”, explicou o gaúcho Yamandu, ele mesmo um músico que trafega por vários gêneros instrumentais com seu violão de sete cordas.

Hoje e amanhã, os shows acontecem das 18h às 22h, sob os pilotis do MAR, localizado na revitalizada Praça Mauá, no centro do Rio. O projeto é uma realização do Ministério da Cultura.

Leo Gandelman, artista que abrange diferentes linguagens da MPB, se apresenta na noite desta sexta-feira. Músico de conexão internacional, sempre se aproximou do choro, trazendo outra intenção para o gênero.

Já no lado da tradição, a programação do festival traz hoje os irmãos Aquiles e Everson Moraes, dupla de violonistas do Projeto Irineu de Almeida e o Oficleide, que leva o nome de um dos maiores compositores da história do choro, conhecido por ter iniciado Pixinguinha ao estilo musical. Também inspirado pelos clássicos, o grupo Izaías e Seus Chorões, que se apresenta no sábado, mergulha a fundo na sonoridade de nomes como Jacob Bittencourt, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, entre outros do século passado.

Na segunda noite do festival, neste sábado, um dos destaques é o trio formado por Arismar do Espírito Santo, Alexandre Ribeiro e Fábio Peron. Os três são de São Paulo, com diversas formações musicais, mas, segundo Yamandu, são a fotografia do que o choro tem com a vanguarda. “Esses três artistas representam o que há de mais moderno hoje no choro”, ressaltou.

Entre a tradição e a vanguarda, o festival apresenta ainda Luis Barcellos, um dos nomes da nova geração, que segundo o curador representa um retrato do que o choro foi e para onde ele está apontando. No sábado, encerrando a programação, apresenta-se o grupo Choro na Rua, formado por novos e antigos nomes do gênero, que se uniram com a missão de levar o ritmo de volta às noites cariocas.

Entre os músicos que farão parte desta grande roda estão: Silvério Pontes (trompete), Zé da Velha (trombone), Daniela Spilmann (sax, tenor e sopranos), Gean Correia (violão 7 cordas), Alessandro Cardozo (cavaquinho) e Bebe Kramer (acordeon).

 

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