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Sacanagem: Demitidos da Abril correm risco de receber apenas 8% da dívida trabalhista

Abril não pagou verbas rescisórias, nem a multa de 40% do FGTS aos celetistas

Flaviana Serafim

A Editora Abril apresentou seu plano de recuperação judicial em 22 de outubro e a proposta de pagamento, que será submetida a uma assembleia de credores, gerou revolta e indignação nos celetistas demitidos e nos freelancers que tomaram calote da empresa.

Os sindicatos se reuniram na terça-feira (30) para fazer uma avaliação do plano de recuperação e decidiram convocar as categorias para assembleia geral unificada no próximo dia 8 de novembro (quinta-feira), às 11h e às 19h, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo – SJSP (R. Rego Freitas nº 530, sobreloja, centro paulistano). O objetivo é debater detalhes do plano e definir as próximas ações de mobilização para pressionar a editora a pagar o que deve.

Os trabalhadores demitidos e os freelancers estão indignados e perplexos com o plano de recuperação judicial, pois a empresa propõe, para os demitidos, um longo prazo de pagamento, e para os freelancers, deságio de 20% da dívida e, dependendo do valor a ser recebido, uma fórmula que pode levar até 18 anos para quitação de apenas 8% do valor do débito. Após a demissão de centenas de profissionais no início de agosto, a Abril não pagou verbas rescisórias, nem a multa de 40% do FGTS aos celetistas, e também deu o calote em freelancers que prestaram serviço como Pessoa Física ou Pessoa Jurídica.

Por isso, a decisão do SJSP e dos sindicatos dos administrativos, gráficos e distribuidores é continuar lutando para que a Abril pague integralmente e o mais breve possível a dívida trabalhista, estimada em R$ 90 milhões, e que a editora tome o lugar dos credores trabalhistas na recuperação judicial (sub-rogação da dívida).

Para ser efetivado, o plano de recuperação tem que ser aprovado pelos credores em assembleia prevista para a primeira quinzena de janeiro de 2019 e, se a aprovação não ocorrer, a Abril vai à falência. Mesmo fora da previsão legal, há vários exemplos de recuperação judicial nos quais a assembleia de credores acontece muitos meses ou até anos depois do prazo previsto. Caso os credores aprovem, o plano vai à homologação pela justiça. Após a publicação oficial da homologação começa a contar o prazo para os pagamentos da dívida.

Acesse a íntegra do plano de recuperação judicial

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